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23/08/2006 20:03
Ônibus elétrico

Ônibus elétrico
Pode ser alternativa para combater a poluição urbana
Os estudos sobre o impacto da poluição em grandes centros urbanos brasileiros, desenvolvidos pelo Laboratório de Poluição da Universidade de São Paulo (USP), foram apresentados no VE 2006 4° Seminário e Exposição de Veículos Elétricos que o INEE (Instituto Nacional de Eficiência Energética) realizou nos dias 15 e 16 de agosto, na Escola SENAI Mário Amato Faculdade SENAI de Tecnologia Ambiental, em São Bernardo do Campo, SP.
Segundo o pesquisador e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e chefe do Laboratório de Poluição, Paulo Hilário Nascimento Saldiva - que participou do módulo sobre VE e Meio Ambiente - os governos pagam um custo muito alto na saúde pública com o tratamento de doenças relacionadas à poluição. Ele cita como exemplo os Estados Unidos: o país decidiu ser mais exigente com a questão do meio ambiente, inclusive adotando ônibus elétricos no transporte público de Nova York, por uma simples matemática financeira. Para cada dólar gasto com poluição, eles ganham oito dólares em saúde, afirma o pesquisador.
Estudos sobre a poluição do ar na capital paulista e o impacto sobre a saúde da população, revelaram que, nos dias de maior poluição, quem mora em São Paulo tem um quadro clínico de inflamação pulmonar (um fechamento pequeno das artérias que podem levar ao aumento da pressão arterial hipertensão). O efeito não é sentido imediatamente pela maioria das pessoas, no entanto, após décadas convivendo com esse quadro, pode ocorrer a redução da expectativa de vida.
Outro dado preocupante é o número de mortes por doenças agravadas pela poluição. Saldiva afirma que em São Paulo morrem nove pessoas por dia, vítimas da poluição, o que representa entre 5% a 10% do número de óbitos da capital paulista.
Os estudos desenvolvidos no Laboratório paulista indicam que os grandes problemas em São Paulo e nos grandes centros urbanos do mundo são o ozônio e o material particulado, sendo que, respectivamente, 80% e 40% dos precursores desses dois poluentes derivam da frota de veículos a diesel.
São Paulo apresenta o dobro do limite para a qualidade do ar recomendado pela Organização Mundial de Saúde. O máximo tolerável seriam 20 microgramas por m3 de material inalável, e São Paulo apresenta 40 microgramas por m3. São Paulo é pior que Los Angeles e até Nova Iorque é mais limpa, compara o professor. Mas, segundo ele, São Paulo não é a capital com a pior qualidade do ar: no Rio de Janeiro, o índice é de 60 microgramas por m3.
Nos grandes centros urbanos, o transporte é responsável por 70% da poluição. São Paulo tem jeito desde que se adote uma política no médio prazo para o favorecimento de transporte público, avalia o professor, lembrando que nos últimos dez anos o crescimento populacional foi de 16%, enquanto a frota de veículos aumentou 67%, ou seja, quatro vezes mais que a população.
O paulistano está migrando para o transporte individual, lembra. O pesquisador afirma que é preciso a adoção de programas que permitam a melhoria dos transportes públicos ou a adoção de veículos limpos. Existe uma série de medidas que podem ser implementadas. O problema é que exigem investimento por parte do governo e das montadoras, resultando em maiores gastos para o consumidor, avalia.
Segundo o diretor do INEE, Antonio Nunes Júnior, existem atualmente nos Estados Unidos cerca de 750 ônibus elétricos híbridos (motor a diesel acoplado a um gerador que alimenta as baterias do motor elétrico) circulando no trânsito urbano, sendo que Nova Iorque concentra o maior número de veículos com 474 ônibus previstos para dezembro deste ano.
Os primeiros dez veículos começaram a operar na cidade americana em 2003; no ano seguinte, a frota atingiu 141 ônibus, saltando para 335 veículos no ano passado. Nesse período foram retirados de circulação 580 ônibus com motores diesel de dois tempos, muito poluentes. O resultado aparece nos estudos sobre a qualidade do ar de Nova Iorque.
A experiência americana, com a entrada dos ônibus elétricos híbridos no sistema de transporte coletivo urbano, mostra que em relação aos ônibus convencionais há uma redução de 75% óxidos de nitrogênio (NOx); de 50% de material particulado (fumaça negra); de 40% a 50% de dióxido de carbono (CO2), além de praticamente zerar a emissão de monóxido de carbono.
Além da redução das emissões de poluentes, as modificações na frota de Nova Iorque também foram motivadas por outros fatores como a operação mais silenciosa, já que o ônibus elétrico híbrido produz menos ruído e ainda a redução dos custos operacionais com o consumo menor de combustível (entre 30% e 40%).
O seminário contou com o patrocínio é de UTE Norte Fluminense, CPFL Energia, Fundação Hewlett, AES Eletropaulo, Ministério da Ciência e Tecnologia e Eletra Industrial, e com o apoio das seguintes entidades: Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE), Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Centro Universitário da FEI (Faculdade de Engenharia), Centro Nacional de Referência em Energia do Hidrogênio (CENEH).
Fonte: Redação Webtranspo
enviada por Busologos em Ação
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